Depressão: Uma doença democrática e incapacitante

March 15, 2018

 

 

 

Há poucos dias tive contato com a depressão de um forma diferente.

 

Sou psicóloga, já atendi diversos casos relacionados a depressão, mas nestes últimos dias uma pessoa muito querida foi nocauteada pela depressão e venho acompanhando sua luta diária para combater seu pior inimigo no momento: ela própria. 

 

É importante frisar que acompanhar tão de perto a transformação de uma vida leve e feliz num pesadelo autodestrutivo é muito difícil. Senti pela primeira vez a impotência que familiares e pessoas próximas que auxiliam meus pacientes sentem. 

 

Claro que nunca é simples ou agradável lidar com a dor dos outros, mas quando está dentro da 'nossa casa' é que podemos entender o real efeito da depressão. Nada que se possa dizer ou fazer parece ter qualquer efeito. A sensação é de estar com pés e mãos atados, vendo alguém que consideramos especial no fundo do poço. Mas não desanime! Nesses momentos a rede de apoio é essencial e sim, sua ajuda é importante e faz toda a diferença no processo de recuperação.  

 

Digo que é uma doença democrática porque não importa quem você seja. Ela pode afetar todos os tipos de pessoas. Não distingue idade, sexo, profissão, poder aquisitivo, se o sujeito é bem sucedido, se tem filhos, se é solteiro ou casado, se mora fora do seu país ou se nunca saiu de sua cidadezinha no interior. A depressão é cruel, chega sem aviso prévio e, dependendo da intensidade, pode incapacitar a pessoa por completo.

 

Em alguns casos o simples fato de conseguir levantar da cama e manter os hábitos diários de higiene e sobrevivência, como comer e dormir, devem ser vistos como uma grande vitória. Esta é a parte incapacitante da doença. Sorte daqueles que têm por perto alguém que incentive e seja parte ativa do tratamento, mostrando o quão válido é cada mínimo esforço, cada pequeno passo dado pelo paciente.

 

Ignorantes com relação ao assunto muitas vezes podem ser tão cruéis quanto o fato de conviver com a depressão. Não é raro escutarmos: "ela não está se esforçando para melhorar” ou “é pura preguiça, está fazendo isso para não ir pra escola” ou até mesmo “está fazendo drama pra chamar atenção”. Pois acredite: é real e transforma vida da pessoa em um imenso vazio.

 

Nos casos mais severos, a depressão pode fazer com que as pessoas sintam dificuldade em executar tarefas simples do cotidiano, tenham a tendencia de ver apenas o lado negativo das coisas, sintam uma tristeza profunda e percam o interesse pelas coisas que geralmente gostam. Algumas vezes, em momentos de desespero, para terminar com o sofrimento, podem chegar a cometer suicídio. 

 

Se você perceber e presença dos sintomas abaixo ou identificar em alguém próximo, durante mais de duas semanas, todos os dias, na maior parte do dia, procure ajuda:

 

  • alterações no sono

  • perda ou aumento significativo no apetite

  • alterações de humor

  • ansiedade

  • falta de concentração

  • cansaço excessivo

  • pensamentos relacionados a morte ou ideação suicida

 

Através deste depoimento e de algumas outras informações que procurei disponibilizar aqui, o que importa é: depressão é coisa séria e precisa ser tratada. Não prolongue este sofrimento, busque ajuda e não coloque sua vida em risco.

 

 

Lembre-se: Você não está sozinho!

 

 

 

"Os buracos negros não são tão pretos quanto parecem. Eles não são prisões eternas, como se acreditava. As coisas podem tanto sair de um buraco negro por onde entraram, como possivelmente ir para outro universo. Então, se você sentir que está em um buraco negro, não desista – há uma saída.” (Stephen Hawking, 2016)

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